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Homens da montanha

Quando Jesus subiu a montanha, deixou a multidão para trás. “E Jesus, vendo a multidão, subiu ao monte e, assentando-Se, aproximaram-se dEle os Seus discípulos” (Mateus 5:1). Os cumes das montanhas nunca estão cheios de gente. Já escalei muitas montanhas e estava quase sempre sozinho. Por quê? É trabalho duro. Não são muitas as pessoas que gostam de escalar montanhas.

Há mais luz na montanha, pode-se ver o Sol por muito mais tempo, mesmo depois de já estar escuro no vale. O vale está quase sempre escuro, cheio de pessoas e coisas, mas quase sempre na escuridão. Na montanha venta muito e faz frio, mas é fascinante.

Se você vai escalar uma montanha, tem que sentir que vale a pena morrer por ela! Qualquer montanha: a montanha desta vida, a montanha das realizações, dos obstáculos, das dificuldades, tem que valer a pena enfrentar o vento, o frio e a tempestade, simbólicos das adversidades.

Só os pioneiros escalam as montanhas — pessoas que querem fazer algo que as outras jamais fizeram, pessoas que querem estar acima da multidão, além daquilo que já foi feito e realizado. Os pioneiros têm que ter visão: visão para ver o que ninguém mais consegue ver; fé: fé para acreditar naquilo que ninguém mais acredita; iniciativa: iniciativa para ser o primeiro a tentar; coragem: coragem para ter o peito de ir até o fim!

Na montanha, você sente como se estivesse vivendo na eternidade, enquanto que lá embaixo eles vivem no tempo. Vê a vida na sua perspectiva exata, com cordilheira após cordilheira a ser conquistada e um mundo além da visão e do horizonte do homem comum! Vê picos distantes para serem escalados e vales distantes ainda por atravessar — coisas que os homens nos vales jamais conseguirão ver e muito menos compreender.

No vale, você fica envolvido com a multidão, com o mundo ilusório do materialismo e não consegue ver mais nada exceto o tempo e as criaturas e as coisas do tempo, que em breve passarão. Mas se elevar a cabeça acima dessa multidão, você próprio se tornará uma montanha no meio deles, e se lhe oporão por isso, resistirão e lutarão contra você porque não conseguem nem querem compreendê-lo.

Eles nem querem saber que há montanhas! Não querem que outros ouçam que há montanhas, nem que recebam uma lufada de ar fresco desses picos cristalinos. Querem mantê-los presos lá embaixo no vale, na lama e no lodaçal. Não querem que se saiba que existe outro lugar para onde ir além do vale, e farão todo o possível para desencorajar você de escalar a montanha.

O homem domina o vale, mas só Deus domina a montanha, e aqueles que vivem na montanha sabem disso. Mas os que vivem nos vales pensam que são Deus, porque decidem a sua própria vida. Sentem-se tão seguros que acham que não precisam de Deus, porque, como não conseguem mais ver o céu, se esqueceram que existe um Deus.

Caminhos batidos são para homens abatidos, mas os picos das montanhas são para os valentes pioneiros.

O que se ouve na montanha? Coisas que ecoarão pelo mundo inteiro. O que se escuta na quietude? Sussurros que irão mudar o curso da História! As mais importantes leis dadas ao homem, base da maior parte das leis do mundo civilizado, foram entregues a alguém que estava sozinho numa montanha! Moisés desceu de uma montanha com os Dez Mandamentos e a nação hebréia nunca mais foi a mesma, nem o mundo!

O “Sermão da Montanha”, o maior já pregado, foi ministrado a uns poucos homens da montanha, pelo maior alpinista de todos, Jesus, que finalmente subiu a Sua última montanha — o monte do Calvário, o Gólgota — e morreu sozinho pelos pecados do mundo. Era uma montanha que só Ele podia subir por você e por mim, mas Ele a subiu!

Depois que os discípulos de Jesus ouviram o Seu “Sermão da Montanha”, desceram e mudaram o mundo. Nunca mais foram os mesmos. O que os mudou e que veio a mudar o mundo? Ouviram a voz de Deus lhes ensinando coisas que eram completamente contrárias ao que lhes fora dito no vale! No vale diziam: “Bem-aventurados os romanos, os orgulhosos, os altivos e os poderosos. Vejam só o que eles fizeram! Conquistaram o mundo inteiro!” Mas na montanha, Jesus estava dizendo exatamente o contrário:

“Bem-aventurados os pobres de espírito [os humildes], porque deles é o Reino dos Céus!” (Mateus 5:3). Simples pescadores ignorantes e analfabetos ouviam um carpinteiro lhes falar de algo que iria torná-los governantes maiores do que os césares de Roma!

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mateus 5:6). As pessoas da montanha têm fome e sede da verdade e só Deus pode satisfazê-las. As pessoas lá embaixo no vale não conseguem ver mais do que um palmo além do seu nariz e estão satisfeitas consigo mesmas e saciadas, por isso o Senhor as despede vazias! (Cf. Lucas 1:53).

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mateus 5:8). Não há poluição na montanha. O ar é puro. A água é pura. As pessoas são puras de coração. Elas vêem a Deus!

A vida está na montanha! Saia do vale! “Fugi para a vossa montanha como um pássaro” (Salmo 11:1).

David Brandt Berg (1919-1994) era filho da conhecida evangelista americana, Virginia Brandt Berg. Em 1968, juntamente com sua esposa e filhos adolescentes, iniciou um trabalho voltado para os jovens da contracultura em Huntington Beach, na Califórnia, o qual se expandiu, tornando-se o movimento missionário cristão internacional conhecido hoje como A Família Internacional (AFI)(Os textos escritos por David Brandt Berg usados na Contato são adaptações.)

 

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