Adeus a uma velha amiga

Adeus a uma velha amiga

Minha mãe me ligou: “Da próxima vez que passar aqui, pode dar uma olhadinha nas coisas que estão na garagem? Seu irmão está aju­dando a limpar tudo ali e encontrou umas coisas suas.”

Fiquei me perguntando o que poderia ser até chegar lá e encontrar uma enorme e robusta máquina de escrever, em excelentes condições, apenas ligeiramente oxidada por causa das décadas de falta de uso. Ver aquela máquina resgatou memórias felizes. Meus pais a compraram para mim de segunda mão quando eu tinha 11 anos, como prêmio por eu ter passado em uma prova importante. Aprendi a datilografar sozinha e passei muitas horas da minha adolescência “batendo” poemas e histórias.

Antes de aceitar a ideia de que minha velha amiga deveria, finalmente, ser jogada fora, tentei escrever alguma coisa. Já não me lembrava quanta força era preciso para pressionar as teclas! Não sei se era porque a fita era velha, mas mal conseguia ver o que estava escre­vendo. Opa! Um erro! Acionei a tecla de retrocesso tentando deletar o que escre­vera, e foi aí que me lembrei que havia voltado para o tempo das farelentas borrachas para apagar erros de datilo­grafia. Com grande esforço e cuidado, consegui produzir algumas palavras. Uma campainha soou indicando que era hora de lançar mão da alavanca que acionava o mecanismo que puxava o papel para cima e arrastava o pesado carro para a esquerda, para dar início a outra linha. Gastei muita energia para produzir quase nada.

Escrever usando meu tablet é outra história! Levíssimo e portátil, posso levá-lo aonde eu quiser. Alguns suaves toques e as primeiras palavras surgem na tela diante de mim. O backspace dá conta dos meus erros e, ao final, bastam uns poucos comandos para a rápida correção das mancadas de ortografia e gramática. Mais um clique e meu trabalho é armazenado. Aciono algumas teclas para meu texto chegar, via internet, para amigos em várias partes do mundo, sem usar papel carbono, envelopes nem selos — e eles receberão a correspondência quase que instantaneamente.

Nossa vida espiritual é um pouco assim. Deus nos oferece “tecnologia espiritual de ponta” para usarmos no nosso dia-a-dia, tal como o poder da oração ampliado, um relacionamento pessoal estreito com Ele e dons do Espírito como sabedoria, conhecimento e fé1— mas nos cabe decidir como aplicá-la. Podemos nos beneficiar dos dons que Ele oferece ou tentar nos virar sem a ajuda de Deus. Esta opção parece tão pouco inteligente quanto insistir em usar a velha máquina de datilografia, em vez de me beneficiar da rapidez, facili­dade e portabilidade do tablet. Já que a tecnologia espiritual de Deus pode melhorar nossas vidas, vamos usá-la.

1. Ver 1 Coríntios 12. 

Abi May

Abi May (também creditada como Chris Hunt) foi contribuinte da Contato na Grã-Bretanha.

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