Experiências natalinas

Meu primeiro Natal

Todos conhecemos a história do nascimento de Jesus. Também já o vimos ilustrado nos cartões e presépios natalinos —Maria, com seu traje típico, tudo ao seu redor muito arrumadinho e a criança envolta em cueiros alvíssimos ou azul-bebê. Mas como foi, na verdade, o primeiro Natal? Sempre me perguntei isso e acho que agora sei.

O Natal de 2004 estava às portas. Alguns amigos e eu fizéramos a longa viagem de Kampala, Uganda, para uma região remota no norte daquele país. Levávamos medicamentos, materiais escolares e rádios para um povo criador de cabras, conhecido como Ik. Nunca estive em uma situação mais afastada da civilização moderna.

Guia para presentear

“Mamãe, acho que a senhora gosta desses brinquedos mais do que nós.” Lembro-me de dizer isso à minha mãe uma vez numa loja de saldos. Pela maneira como ela cuidadosamente examinava cada brinquedo, a atenção com que lia cada livro, contava as peças dos quebra-cabeças e conferia os componentes dos jogos (é típico encontrar artigos incompletos em liquidação), eu estava convencida de que ela gostava dos presentes muito mais do que nós, crianças. Ela estava sempre atenta às liquidações, para ela e o meu pai batalhador poderem colocar presentes debaixo da árvore de Natal para nós.

Mas eles nos davam muito mais que coisas. Às vezes, os presentes vinham em forma de “atividades”, como quando nos levaram a um parque para brincar de um jogo do qual gostávamos muito, ou fizeram uma caminhada conosco num bosque ou visitamos juntos um lugar histórico.

A esperança do Natal

Faz dois anos, alguns amigos e eu levamos caixas de alimentos para as famílias desabrigadas desde fevereiro de 2010 pelo terremoto e tsunami que açoitaram a cidade de Constituición, no Chile. Nas caixas incluímos um exemplar da edição de Natal de Conéctate (edição em espanhol da Contato), um CD de música natalina e alguns enfeites de Natal que Margarita, uma das voluntárias, havia coletado no prédio em que trabalhava. Também levamos uma árvore de Natal, doada por um de seus colegas de trabalho, mesmo sem saber o que faríamos com ela.

Enquanto alguns do grupo reuniam as crianças para uma apresentação ao vivo de Natal com música e teatro, outra equipe visitava as várias cabanas que formavam o acampamento. Em uma delas, dois voluntários encontraram uma mulher à beira das lágrimas. Sua família perdera quase tudo no tsunami e o que sobrou fora recentemente roubado. Ela contou que seu filho ficara olhando as outras famílias montarem suas árvores de Natal e insistia em saber da mãe quando fariam o mesmo. O menino não falava de outra coisa.

Cura no Natal

Eiko pesava 31 quilos naquele Natal. Sua pele se esticava sobre o rosto e mesmo as volumosas roupas de inverno não disfarçavam sua extrema magreza. Tinha apenas 13 anos e sofria de um grave distúrbio alimentar desde os nove. Meus pais e nós, seus irmãos, não percebemos muito bem suas dificuldades quando começaram, mas agora o impacto era por demais gritante.

Nossa irmã que outrora fora a alegria da família, mal podia sorrir. Em vez disso, trazia um olhar sério de isolação. Quanto mais a encorajávamos a comer, mais nos repelia. Meus pais assistiam, impotentes, aos quilos caírem de sua figura já tão magra. Passávamos horas em oração e em longas conversas noite adentro, na tentativa de ajudar Eiko a enxergar a realidade da situação: se ela não começasse a comer, logo ela desvaneceria.

A melhor parte do Natal

Apressada pelas ruas de Morelia, no México, observei que nos pontos onde havia semáforos se concentravam grande número de pedintes. Era véspera de Natal, e eu tinha saído com minha filha de dez anos, para algumas compras de última hora.

“Olhe para ela!” —Cathy chamou minha atenção para uma velha que parara momentaneamente de mendigar para esfregar os pés frios e descalços.

“Ela é a avó de alguém —pensei em voz alta— mas em vez de estar em casa com sua família, anda por aqui, descalça, tentando juntar um pouco de dinheiro para a ceia de Natal.” Então tive uma ideia. “Cathy, vamos para casa pegar um pouco de comida para ela.”

Feliz aniversário, Jesus!

Como cresci na União Soviética, celebrei o Natal pela primeira vez em 1991, aos 16 anos. Até então, nunca tinha visto um presépio, ouvido uma canção de Natal nem escutado a história do nascimento de Jesus. Mas naquele ano a verdade e o espírito do Natal invadiram meu coração e mente, deixando-me embriagada com felicidade de 25 de dezembro (Natal no Ocidente) a 7 de janeiro (Natal segundo o calendário juliano e da Igreja Ortodoxa Russa). Passei essas duas semanas com os membros da Família Internacional que, fazia pouco tempo, me mostraram como conhecer Cristo. Desejamos feliz Natal a todos que nos conhecemos e distribuímos pôsteres coloridos com a história do Natal a milhares de pessoas, muitas dos quais ainda não a conheciam, como eu até pouco tempo antes.

Natal na estrada

Alguns anos atrás, meu marido e eu éramos missionários no Norte do Brasil, quando surgiu uma oportunidade para participarmos de um esforço voltado a ajudar os jovens em Buenos Aires.

Na época, tínhamos três filhos, e eu estava grávida do nosso quarto. Meu marido é da Argentina e estava esperando que pudéssemos chegar a tempo de passar o Natal com seu pai, já idoso. Por isso, alguns dias antes do Natal, partimos para uma viagem de 7 mil quilômetros por terra. Tudo corria muito bem até chegarmos à fronteira.

Tesouros especiais

Quando chega dezembro, peço aos meus filhos, Toby e Kathy, agora com sete e nove anos, para darem uma olhada em seus brinquedos e roupas e separar o que não usam mais. Depois verifico a seleção que fizeram para descartar os que estiverem desgastados demais e exercer meu poder de veto em alguns casos. No final, colocamos em caixas o que está em melhor estado para dar aos outros que têm menos que nós. Além de incutir nas crianças o espírito de dar, é também uma maneira eficaz para diminuir a desordem em casa e dar um destino apropriado para coisas ainda boas, mas que meus filhos não precisam ou não querem.

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