Patrulha no mato

Patrulha no mato

Hoje fui fazer uma caminhada no mato com os filhos de uns amigos, perto do vilarejo onde moramos. É uma área com lavouras, estradas de terra e um pequeno bosque. O clima estava ótimo e foi uma boa oportunidade para as crianças desfrutarem um pouco do ar fresco e se exercitarem, correndo à vontade à procura de bichinhos tão abundantes na primavera e no verão.

Para mim, foi agradável poder me afastar da correria de casa, que é, ao mesmo tempo, nossa residência e escritório da nossa fundação, onde trabalhamos como voluntários. Ali, no meio do mato, não há computadores, trabalhos urgentes, telefonemas, tarefas rotineiras, reuniões, arrumações nem nenhuma das tantas coisas que nos mantêm ocupados a maior parte do dia.

O tempo parece parar quando estamos em meio à natureza —pelo menos até uma das crianças gritar, toda empolgada: “Uma joaninha!” ou “Uma aranha!” Mas nem esses alertas me incomodam, pois geralmente bastam alguns minutos de paz para eu desanuviar a mente. Quando Jesus disse que se não nos tornássemos como crianças não poderíamos entrar no Reino dos Céus1, talvez não estivesse falando apenas do que está por vir, mas também da paz e do pedacinho de Céu que podemos ter em nossos corações agora mesmo, quando paramos para deixar nossas preocupações de lado, acalmar nossas mentes e espíritos, e nos sintonizamos com a Sua voz, que fala conosco pela Criação.

E tudo isso parecia natural para aquelas crianças. Não estavam preocupadas com o trabalho que ainda precisava ser feito quando voltássemos para casa, nem com as contas que precisavam ser pagas. Estavam simplesmente cheias de energia, empolgadas com a vida e felizes por ter um cara grande por perto para cuidar delas e fotografar suas atividades. Quanto mais nós, adultos, deveríamos ter essa paz, sabendo que temos “o” Cara grande, cuidando de nós e, sem dúvida, fotografando a nossa vida?

* * *

Nos campos com Deus

As coisinhas que me afligiam,
Deixei ontem para trás,
Entre os campos, acima do mar,
Entre os ventos a brincar;
Entre os sons do gado distante,
Entre as árvores a balançar;
Entre o canto dos passarinhos
E as abelhas, com seu zumbido.

Tolos receios do que poderia acontecer
Lancei fora sem temer,
Sobre a grama aromática,
Sobre o feno recém-cortado;
Sobre o milho sendo debulhado,
Sobre as florezinhas no campo,
Onde pensamentos ociosos se vão
Lá no campo, perto de Deus!
—Elizabeth Barrett Browning

1. Ver Mateus 18:3.
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