Raios de Deus

Raios de Deus

Volta e meia ouvimos falar de acontecimentos de tal forma além de qualquer explicação possível, que os diretamente envolvidos acreditam terem participado de um milagre.

Para os demais, crer nessas histórias é um ato de fé. É preciso admitir na possibilidade de milagres e que quem conta a história esteja falando a verdade. Entretanto a fé tem suas recompensas. Se pudermos crer que coisas “impossíveis” aconteceram aos outros, abrimos espaço para a fé de que nós também podemos receber graças semelhantes. O filósofo e matemático francês Blaise Pascal (1623–1662) classificou os milagres de “raios de Deus”. Não há nada de “duvidoso” em uma descarga elétrica do céu, especialmente para alguém que esteja no seu ponto de contato com o solo! Os raios são poderosos e ocorrem cem vezes por segundo em cem lugares diferentes em todo o mundo. Tenho certeza de que se contássemos todos os milagres, o total por segundo superaria e muito esse número. O que me dá tanta certeza? Jamais fui atingido por um raio, mas já vivenciei muitas “descargas elétricas de Deus”.

Uma dessas ocasiões que me ocorre agora foi em Uganda, leste africano, e está relacionada a algo extraordinário envolvendo alguém que também estava lá.

A visita de meu filho estava chegando ao fim e sua viagem para o Japão estava marcada para a manhã seguinte. Por conta da distância para o aeroporto, ele deveria sair de casa às quatro para chegar a tempo para seu voo.

Como sabíamos que não seria fácil encontrar um taxi a essa hora, pedimos a ajuda de Deus e fomos para a via principal, na esperança de encontrar um motorista de taxi que concordasse levá-lo na manhã seguinte para o aeroporto.

Estávamos à margem da estrada quando um homem parou seu jipe e perguntou: “Posso ajudá-los?”

“Obrigado, mas acho que não” — foi minha resposta, seguida de uma explicação sobre a situação em que nos encontrávamos.

“Posso levá-lo ao aeroporto” — garantiu o homem.

Ele só está tentando ganhar um troco, pensei. Fazer negócio com taxista clandestino pode ser arriscado. “Obrigado, mas acho que estamos procurando um taxi comum.”

“Mas não sou taxista. Meu nome é George e não vou cobrar para levá-lo ao aeroporto.”

George parecia sincero, mas uma pessoa parar e oferecer ajuda dessa maneira não é nada comum. Convidamos o rapaz para tomar café para conhecê-lo melhor e foi quando nos contou a sua história de milagre.

Fazia alguns anos, ele era eletricista na principal usina geradora de eletricidade da cidade. Uma tensão extraordinária percorria as linhas nas quais ele trabalhava e, por isso, qualquer pequeno erro poderia ser fatal. Um dia, um desses “pequenos” aconteceu. Outro funcionário não havia desligado uma chave e pelo corpo de George percorreram milhares de volts. Teoricamente, sua morte instantânea seria inevitável, mas por alguma razão inexplicável, sobreviveu, o que todos afirmam ter sido um milagre.

Esse encontro com a morte mudou as prioridades e perspectivas da vida de George. “Desde o acidente —explicou—, tento não dar um passo sem antes consultar Deus. Eu estava no meu quarto assistindo televisão, quando uma voz dentro de mim — que aprendi ser a de Deus — me disse para levantar, entrar no carro e sair, pois encontraria alguém que precisaria da minha ajuda. Quando os vi ali parados, tive certeza de que eram as pessoas para quem Ele estava me enviando.”

Por fim, convencidos da sua sinceridade, agradecemos várias vezes ao George por estar disposto a levar meu filho ao aeroporto tão cedo.

“Deus também me disse para encher o tanque” —acrescentou. Apesar de contrariar o hábito naquele país, em que o furto de gasolina em estacionamentos é comum, a instrução fazia sentido, pois o aeroporto fica longe de nossa casa e não haveria postos abertos tão cedo de madrugada.

George foi pontual, levou meu filho como combinado e, além de não cobrar coisa alguma, fez uma doação generosa para seu trabalho voluntário. Essa contribuição não apenas foi algo que também havíamos pedido a Deus em oração, mas a quantia exata que meu filho precisava para seu próximo projeto.

Poucos questionariam que Deus salvou a vida de George por um milagre, mas o que dizer do nosso encontro? O fato de não ser uma situação de vida ou morte torna a intervenção de Deus menos milagrosa? Acredito que toda necessidade é uma oportunidade para Deus agir em nosso favor. Peça, busque, espere milagres e os receberá!

Curtis Peter van Gorder

Curtis Peter van Gorder

Curtis Peter van Gorder é roteirista e mímico. Dedicou 47 anos a realizar atividades missionárias em dez países diferentes. Ele e sua esposa Pauline moram atualmente na Alemanha.

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