A maior pintura do mundo

A maior pintura do mundo

Faz pouco tempo, assisti a um documentário fascinante sobre o famoso afresco A Ressurreição, de Piero della Francesca, pintado por volta de 1460 na Toscana (Itália). Jesus está no centro da composição, retratado no momento de Sua ressurreição, acima de quatro soldados adormecidos à entrada de Seu túmulo, ilustrando a diferença entre as esferas humana e divina.

O simbolismo também está na paisagem ao fundo. De um lado, vemos uma vegetação ressequida, sem folhas e sem vida; na parte oposta, árvores jovens e florescentes ilustram o ressurgimento do Cristo, uma afirmação da vida eterna para todos que nEle depositam a esperança — “Porque Eu vivo, vós também vivereis.”1 Aldous Huxley descreveu a obra-prima como “a maior pintura do mundo”, mas foi a história de sua preservação durante a 2ª Guerra Mundial que capturou minha atenção.

O conflito já se encaminhava para o fim e os Aliados lutavam para livrar a Toscana da ocupação germânica. Forças britânicas se posicionaram nos montes de onde se podia avistar Sansepolcro, cidade em que se encontra o prédio que abriga a preciosa obra de arte. As ordens para a artilharia eram que o bombardeio contra o lugar começasse imediatamente.

Foi então que o oficial britânico, Tony Clarke, lembrou-se do que escrevera Huxley em 1925, em referência à obra do grande pintor. Clarke se viu diante do dilema, mas, movido pelo amor à arte, desobedeceu às ordens de seus superiores e, sob pena de ir à corte marcial, ordenou a suspensão do ataque.

Descobriu-se posteriormente que os alemães já haviam se retirado da região, que foi liberada pelos britânicos no dia seguinte. A cidade, seus habitantes e a pintura de Piero della Francesca sobreviveram por pouco, graças à determinação de Tony Clarke e uma frase escrita em um livro, 20 anos antes. Em homenagem ao homem que evitou a destruição da cidade, os residentes de Sansepolcro batizaram uma rua com o nome do capitão britânico.

Não sei se esse militar ou Huxley eram crentes. Contudo, suas palavras e ações ajudaram a preservar a representação artística da ressurreição de Jesus, que continuou um testemunho para as gerações desde então. Para mim, o incidente é um lembrete vívido da intervenção divina nas circunstâncias mais improváveis. Apenas algumas palavras que vieram à memória na hora certa foram usadas por Deus para atender às orações de Seus filhos que pediam proteção.

1. João 14:19.
Marie Boisjoly

Marie Boisjoly

Marie Boisjoly é franco-canadense, há 45 anos envolvida em serviços comunitários cristãos. Vive atualmente no México com o marido, onde trabalha com terapia do riso e é diretora da “Coloreando el Mundo” (Colorindo o Mundo), um espetáculo com palhaços e fantoches, e é distribuidora de produtos educativos e motivacionais.

Copyright 2021 © Activated. All rights reserved.