Adolescentes

Deus em carne e osso

Certa vez, li que o bom pai prepara os filhos para o relacionamento com o Pai celestial, Deus. Talvez o meu não saiba, mas algo que deu o norte à minha vida foi uma conversa que tivemos sobre uma colina, no verão, quando eu estava com 18 anos. Ele provavelmente não se lembra do que aconteceu, mas, como era típico, aquela foi mais uma ocasião em que me ofereceu conselhos sábios e amorosos sem exagerar na dose.

Bem-vindo a Parkville

Participei de uma oficina em que a psicodramista Emily Nash1 relatou sua experiência em uma clínica terapêutica nos EUA, envolvendo crianças e adolescentes vítimas de traumas. Os rapazes que participavam do seu grupo eram muitas vezes agressivos, propensos a um comportamento de autodestruição e incapazes de confiar nos adultos ou em seus colegas. Quase todos tinham sido vítimas de abusos graves e negligência emocional.

A ansiedade e o alto-mar

Cresci no campo, em meio a riachos, lagos e rios, e foi somente aos dezesseis anos que vi o mar pela primeira vez, quando estive em Atlantic City, Nova Jersey. Passeei no famoso calçadão de madeira da cidade e andei por um píer também de madeira. Quando as primeiras ondas rebentaram sob meus pés, agarrei-me à cerca, apavorada. Desde então, tenho uma afeição cautelosa pelo oceano. Nunca fui uma grande nadadora, mas adoro ficar olhando para o mar, sentir a areia entre meus dedos e até desfruto a sensação de falta de peso que experimento quando as ondas me carregam com suavidade — desde que eu tenha algum tipo de boia na qual me segurar.

O que Bo me ensinou

Bo era nosso labrador amarelo que simplesmente adorava nadar em nossa piscina. Nela, ele se comportava como um rei em seu domínio. Certo dia, meu filho estava praticando novos estilos de nado e começou a boiar como se estivesse morto. Bo entendeu que o rapaz estava em perigo e se atirou na água para resgatá-lo. Instintivamente, empurrou a cabeça de meu filho para cima e a segurou com as patas, para tentar lhe salvar a vida. O menino mal conseguia respirar, lutando para manter o cachorro à distância, mas o resultado foi que inspirou água e ficou cheio de arranhões.

Um alento de ar fresco

Era um dia de verão particularmente quente e úmido. Jeffrey e eu viajávamos havia algumas horas quando sentamos exaustos na abafada sala de espera de uma estação rodoviária no norte da Itália. Ele mal falava comigo. “Será que eu realmente tinha de vir?” —reclamou.

Como é que fui ter esta ideia, afinal de contas? —perguntei-me. Arrastar um rapaz de 14 anos para longe de seus amigos para visitar os avós com sua mãe não é bem o que um adolescente considera diversão.

Resolver problemas com o meu adolescente

Agora que meu filho mais velho, Chris, fez 13 anos, vi que preciso mudar a maneira como me comunico com ele. Ele não é mais a criança que era faz alguns anos. De uma hora para a outra, ficou mais alto que eu. O tempo voou mesmo! Parece até que foi ontem que ele era um ativo menininho de dois anos que mexia em tudo.

Como a maioria dos pais, suponho, a minha tendência é instintivamente achar que já sei o que é melhor para meus filhos e que devo agir segundo essas impressões. Isso até funcionou quando ele era pequeno, mas agora que chegou à fase de querer tomar mais suas próprias decisões, descobri que preciso adotar outra abordagem e envolvê-lo mais nesse processo, ou seja, tratá-lo menos como criança e mais como colega de trabalho.

Agora vejo

Tenho que dizer que genuinamente admiro meu pai. Mas devo admitir também que dizer isso nem sempre foi fácil para mim. Foi somente com o passar dos anos que passei a ver mais e mais o que antes não conseguia.

Sou o mais novo de três filhos criados por um pai solteiro. Tenho certeza que era uma situação difícil, mas ele não deixava transparecer quando estávamos por perto. Agora vejo a sabedoria dessa decisão. Ele tinha muitas dificuldades, mas procurava não deixar de ser um exemplo de nosso Pai Celestial, para que nos sentíssemos seguros e protegidos.

Copyright 2020 © Activated. All rights reserved.