O guarda-chuva

O guarda-chuva

O ar estava pesado com a iminência da chuva e eu caminhava pelas ruas de Chiba, Japão. Dei uma olhada para as nuvens e não me perdoava por não haver trazido um guarda-chuva. Parecia que o tempo ia abrir, mas não abriu.

Eu estava esperando em um cruzamento de ferrovia quando minha sorte acabou. Gotas enormes se jogaram do céu ao som dos muitos guarda-chuvas se abrindo ao meu redor. O display eletrônico informava por quanto tempo a cancela permaneceria baixada para a travessia de três trens. Para mim, isso significava pelo menos cinco minutos debaixo de chuva.

Decidi que não deixaria aquilo me incomodar. Afinal, estar despreparado para a chuva não era uma experiência inédita para mim.

Então uma mulher se aproximou e ficou ao meu lado. Não havia nada de extraordinário nela a teria notado se não fosse pelo que aconteceu a seguir. De pé ao meu lado, ela segurou calmamente sua sombrinha sobre nós dois, protegendo-me da chuva. Minha falsa indiferença durou pouco e lhe agradeci pela gentileza. Ela sorriu sem dizer nada. Fiquei sem saber o que mais dizer, mas percebi que nada mais era preciso ser dito. Ela me pareceu uma daquelas pessoas que não pensam duas vezes para fazer o bem. Atravessamos os trilhos juntos e cada um seguiu seu caminho.

Como a vida de todo mundo, a minha é cheia de pequenas oportunidades para ajudar os outros e lhes mostrar um toque do amor de Deus, como aquela mulher fez por mim naquele dia. E sempre que me sinto tentado a achar que de nada adianta ser gentil com quem não conheço, afasto esse mau pensamento com a lembrança da bondosa mulher que compartilhou comigo seu guarda-chuva.

E, o que é mais importante, sei que cada passo extra que dou, cada ato de bondade que pratico e palavra gentil que digo, mesmo que pareçam pouco, podem abrir um mundo de bondade para as pessoas que cruzam meu caminho. Acha que não? Tenho certeza que aquela mulher se esqueceu há muito tempo do bem que fez a um adolescente molhado, vários anos atrás — mas eu não.

* * *

Lembre-se de que não existe um pequeno ato de bondade. Todo ato cria uma onda de propagação sem fim lógico.
Scott Adams (n. 1957)

Roald Watterson

Roald Watterson é editor e desenvolvedor de conteúdo.

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