A cesta de roupas

A cesta de roupas

Faz algum tempo, li algumas dicas para o cultivo de bons relacionamentos interpessoais:

1) Seja alegre ao falar.
2) Sorria.
3) Trate as pessoas pelo nome.
4) Seja amigável e solícito.
5) Comunique-se abertamente.
6) Tenha interesse pelos outros.
7) Seja generoso com o louvor, encorajamento e reconhecimento.
8) Esteja genuinamente interessado nos sentimentos dos outros.
9) Evite discussões.
10) Seja prestativo.

Excelentes dicas, pensei, e resolvi tentar pô-las em prática no meu dia-a-dia. O que eu não esperava é que minha primeira oportunidade para isso surgiria logo no dia seguinte, mas não exatamente no formato que eu esperava.

Minha esposa ficou chateada comigo por eu não a ajudar a levar o cesto de roupa para a área de varal, que fica no terraço. Em nossa casa, esse trajeto inclui subir seis lances de escada, o que torna a tarefa de carregar um cesto com roupas molhadas uma tarefa desgastante.

Tentei explicar que teria feito de bom gosto se ela tivesse pedido, mas ela parecia convencida de que eu estava evitando o trabalho propositadamente. Isso é injusto! —pensei irritado e, apesar de ter me esforçado, a única dica que consegui me lembrar, tarde demais, foi a número 9.

Pensei que quando Júlio César se zangava, repetia mentalmente todo o alfabeto antes de falar, mas 26 letras não seriam o bastante para me impedir de fazer ou dizer algo ríspido. Foi quando lembrei do poema “Deixe passar”.

Depois de um tempinho, os ânimos se acalmaram e fizemos as pazes. Pedi desculpas à minha esposa com um presente e um beijo e, de alguma forma, o incidente com o cesto de roupas para pendurar rapidamente perdeu importância, mas deixou a lição. E, no próximo dia de atividades na lavanderia, não deixar passar a chance de pôr em prática a décima dica.

* * *
Deixe passar
Aqueles que são mesmo do bem
Às ofensas baratas não se curvam
Para responder a palavras rudes
Que cortam fundo e machucam
Estão muito longe delas
Vivem em outro patamar
Pois respondem à dor com um sorriso
E até com olhos a brilhar
Pois aprenderam que, no final,
A melhor forma de a maldade encarar
É encontrá-la com um sorriso e,
Então, só deixar passar.
Virginia Brandt Berg (1886–1968)
Curtis Peter van Gorder

Curtis Peter van Gorder

Curtis Peter van Gorder é roteirista e mímico. Dedicou 47 anos a realizar atividades missionárias em dez países diferentes. Ele e sua esposa Pauline moram atualmente na Alemanha.

Copyright 2021 © Activated. All rights reserved.