Josie Clark

Josie Clark é blogueira, mãe, avó e colaboradora frequente da revista Contato.

A ansiedade e o alto-mar

Cresci no campo, em meio a riachos, lagos e rios, e foi somente aos dezesseis anos que vi o mar pela primeira vez, quando estive em Atlantic City, Nova Jersey. Passeei no famoso calçadão de madeira da cidade e andei por um píer também de madeira. Quando as primeiras ondas rebentaram sob meus pés, agarrei-me à cerca, apavorada. Desde então, tenho uma afeição cautelosa pelo oceano. Nunca fui uma grande nadadora, mas adoro ficar olhando para o mar, sentir a areia entre meus dedos e até desfruto a sensação de falta de peso que experimento quando as ondas me carregam com suavidade — desde que eu tenha algum tipo de boia na qual me segurar.

Aprender a confiar

Sempre gostei muito de gatos e sentia que tinha jeito com eles, mas Jay-Jay e Felix me colocaram à prova. Ganhei-os de presente de minha nora, Toni. A gata mãe era feroz. Provavelmente nunca tivera um dono e morreu pouco depois de minha nora começar a alimentá-la, vítima de um dos muitos perigos da vida na rua.

Quando os dois chegaram à minha casa, rapidamente se esconderam sob as camas. Nosso relacionamento começou comigo deitada no chão esticando o braço para os alcançar. No início, minhas propostas foram recebidas com temor, mas depois de alguns dias de comidinhas, água fresca na tigela, caixa limpinha e muito carinho quando eram chamados, os gatinhos aprenderam a confiar. Por fim, passaram a me procurar quando a noite caía e a casa ficava silenciosa, e me deixavam acariciá-los. Eu me sentia recompensada quando eles me procuravam e, ronronando, ficavam se esfregando em mim. Eu sempre procurava lhes transmitir que estavam seguros e que eu cuidaria deles. E parece que entendiam a mensagem.

A melhor parte do Natal

Apressada pelas ruas de Morelia, no México, observei que nos pontos onde havia semáforos se concentravam grande número de pedintes. Era véspera de Natal, e eu tinha saído com minha filha de dez anos, para algumas compras de última hora.

“Olhe para ela!” —Cathy chamou minha atenção para uma velha que parara momentaneamente de mendigar para esfregar os pés frios e descalços.

“Ela é a avó de alguém —pensei em voz alta— mas em vez de estar em casa com sua família, anda por aqui, descalça, tentando juntar um pouco de dinheiro para a ceia de Natal.” Então tive uma ideia. “Cathy, vamos para casa pegar um pouco de comida para ela.”

“Sentirmuitismo”

Acho que sou culpada por dizer, “sinto muito” demais e, por isso, às vezes dar uma ideia errada aos meus filhos. Anos atrás, quando um deles tinha cinco anos e caiu de bicicleta, eu disse que sentia muito. Eu tinha lhe dito claramente para não subir o morro na sua bicicleta de segunda mão, recém adquirida até seu pai checar os freios e lhe ensinar a usá-los. Mas ele subiu assim mesmo.

Aconteceu que eles funcionaram bem, mas ele não sabia o que fazer, e entrou em pânico. “Voou” morro abaixo, cruzou uma plantação de milho e depois retornou à estrada. Ele não se lembra de nada depois disso, mas foi encontrado deitado no chão e precisou levar alguns pontos. Então eu disse que sentia muito.

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