Saí para correr

Saí para correr

Faz dois anos que despertei para o fato de que estava seriamente fora de forma. Meu trabalho havia se tornado mais sedentário e eu não tinha encontrado maneiras de compensar essa mudança. Eu gostava de atividades físicas, mas não achava tempo ou a motivação para me exercitar diariamente. Parte do problema, reconheço, era que eu colocava minha eficácia profissional acima da minha saúde.

Foi então que li um artigo no jornal sobre a maratona anual da cidade. Perfeito! Ali estava uma meta pela qual me esforçar e uma razão para me exercitar. Decidi treinar para valer e participar da competição no ano seguinte.

Meu “programa de treinamento” consistia em correr o mais rápido possível, até não poder mais, andar até recuperar o fôlego e depois voltar a correr tão rápido quanto possível. Depois de 40 minutos dessa sequência, eu chegava em casa exausta. Eu me sentia bem por finalmente estar me exercitando, mas notei que não estava fazendo muito progresso.

Concluí que precisava de ajuda profissional. Encontrei na Internet alguns sites dedicados a corridas. Alguns eram muito elucidativos, outros pareciam conter uma avalanche de instruções que eu não conseguiria seguir. A maioria me encorajava a fazer investimentos que estavam além do meu orçamento, tais como equipamentos e acessórios caros ou um personal trainer.

Mas o que mais intimidava era o conceito de treinamento constante e de longo prazo. Os especialistas são unânimes: “Comece devagar, aumente a intensidade dos exercícios aos poucos, mas faça algo todo dia.” Eu sou mais do tipo “resultados rápidos”. Projetos de longo prazo? — Só pensar nisso me deixava louca. Ver a minha reação a essa abordagem me ajudou a ver como a mesma atitude afetava outras áreas da minha vida. Coisas importantes não eram realizadas porque requeriam passos pequenos e repetitivos.

Além disso, os maratonistas de verdade, com bom condicionamento físico ou que atingem suas metas na vida, são os que progridem lentamente, cada dia um pouco, ao longo do tempo. Decidi mudar, começando pelos meus exercícios. Iniciei devagar, tentei manter o ritmo e tratei de calar aquela voz que ficava me dizendo que “esse pouquinho não vai adiantar nada”.

Nessa mesma época, também li um excelente artigo sobre saúde que enfatizava a inclusão do poder espiritual na equação da saúde e condicionamento físico. Passei a orar mais, pedindo a Deus que não apenas me ajudasse a progredir como corredora, mas também que me orientasse para eu alcançar os resultados que desejava.

No início, era em um ritmo lento e eu não me exercitava tanto quanto gostaria, mas tentei fazer isso todo dia. Cada dia, eu corria um pouco mais longe no tempo preestabelecido e comecei a gostar. E vi que minha energia estava aumentando.

Em um dado momento, peguei uma gripe daquelas. Por várias semanas, mesmo depois que a febre passou, sentia-me cansada. Quando finalmente me senti forte o bastante para retomar minhas corridas diárias, imaginei que o condicionamento que eu havia desenvolvido já não existiria mais e que todo aquele esforço se havia perdido! Eu não queria nem tentar e continuava adiando o retorno à prática de exercícios. “Quem sabe amanhã…”

Um dia, joguei minhas desculpas pela janela e decidi retomar minhas atividades físicas devagar e sem forçar, para ver o que aconteceria. Para minha surpresa, meu condicionamento parecia ser uns 75% do que era antes da doença. Todo o meu trabalho não havia sido em vão. Além disso, comecei a me sentir melhor. Respirar profundamente, correr pelos campos e pelos lindos lugares ao redor da minha casa teve um efeito revigorante. Acho que foi nesse dia que descobri que eu adorava correr. O condicionamento físico era uma meta que valia a pena e a ideia de participar da maratona me dera o incentivo para começar, mas a prática diária em si tornou-se um grande prazer.

Enquanto corria, eu pensava em outras coisas que eu vinha adiando porque exigiam planejamento, constância, progresso lento e diário. O prazer era correr e fazer o que eu podia para me manter em boa forma e saudável, estar perto da minha família e das pessoas que amo e avançar no meu trabalho.

Aprendi também a usar esses momentos de relativo isolamento não apenas para pensar nessas coisas, mas para orar sobre elas. Agora, quando começo a correr, conto para Jesus os problemas que estou enfrentando. Às vezes, Ele me dá soluções, possibilidades nas quais eu não havia pensado e que talvez jamais me ocorreriam, mas só falar com Ele já alivia o estresse. Eu também uso esses momentos para orar por outras pessoas e situações, algo que eu sentia que precisava fazer mais, mas não achava tempo. Quando chego em casa depois de correr, parece que larguei os pesos pelo caminho

Eu talvez nunca participe de uma maratona, mas você pode ter certeza que todo dia, ao entardecer, vai me ver correndo.

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