Dores do crescimento

Dores do crescimento

Durante um teste de ortografia com uma turma da 1ª série, notei a folha de Cindy estava em branco. “Não me lembro de nenhuma resposta!” — respondeu chorando. Levei-a pela mão para fora da sala e a orientei a respirar fundo. Juntas, falamos sobre fonemas que havíamos estudado naquela semana. Depois dessa revisão e umas palavras de ânimo, Cindy se lembrou de duas das oito palavras da avaliação. Isso a deixou aliviada, mas a experiência como um todo parecia ter sido um duro golpe na sua frágil autoconfiança.

Naquela noite, depois do expediente, quando digitava as notas do teste para gerar meu relatório, cheguei ao nome da Cindy. Lembrei-me da angústia em seus olhinhos e senti a frustração nas suas lágrimas.

Estudo muito para ser uma boa professora e sempre procuro aprender com meus colegas, mas não estou satisfeita com meu progresso na prática pedagógica. A poucos meses de completar o primeiro ano de docência, eu sentia que havia encontrado um muro que não estava conseguindo superar. Sentia-me com Cindy e desistir não era uma opção viável para nenhuma de nós!

Até o fim do semestre, foi como se eu e minha aluna compartilhássemos a mesma jornada. Procurei animá-la sempre que era tomada pela angústia de não se lembrar como soletrar as palavras e a determinação daquela criança para superar a ansiedade na hora dos testes me ajudou em meus esforços para encontrar soluções para os problemas de sala de aula. Sempre que os pequeninos olhavam para mim perplexos ou entediados, mudava a maneira como estava ensinando.

Aprender com os erros não é fácil, mas nós duas, professora e aluna da primeira série, lutamos e amadurecemos com a experiência. Com o tempo, Cindy passou a fazer testes sem ceder ao pânico quando esquecia alguma palavra. Entendeu que a avaliação poderia ajudá-la a ver que tipos de palavras ela precisava estudar mais e quais aprendera bem. Minha didática tampouco estava perfeita, mas eu também estava crescendo em confiança e aprendendo estratégias para lidar com as situações de sala de aula. Uma criança de seis anos me ensinou a lutar para superar os obstáculos rumo ao objetivo que eu queria alcançar.

Elsa Sichrovsky

Elsa Sichrovsky é escritora freelance. Vive com sua família em Taiwan.

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